quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Trégua das águas

Trégua das águas  
                                                                                        

Certa vez, quando as chuvas deram de falhar, e a Jângal ficava cada dia mais seca, a caça rareava a cada dia que passava, e os animais estavam morrendo mais a cada dia.
 O único que engodava era Chill, o urubu que comia carniça, e como tinha carniça!
O Waingunga um grande rio que cotava a jângal era a única reserva de água ficava cada dia mais raso.
Foi quando Hathi, o elefante selvagem, viu no centro do rio surgir uma rocha brilhante,  ele reconheceu que era a Rocha da Paz.
Ele sabia que quando a rocha da paz surgia no centro do Waingunga era chegada a hora de decretar a trégua das águas; ergueu então sua tromba e como seu pai já havia feito a muitos anos  arás decretou a trégua das águas no jângal.
Segundo a Lei do Jângal, quando a trégua das águas é proclamada fica proibido caçar nas horas de matar a sede, pois os animais vinham magros de fome ao bebedouro. E mais importante que comer é beber.
Todos os animais do jângal, nessa época de seca  se reuniam as margens do Waingunga  para falar da seca e das coisas que aconteciam.
Estavam lá Mowgli, Baguera, Baloo, Hathi e outros tanto animais quando, Shere-Khan o tigre manco chegou no bebedouro para molhar sua grande cara listrada  e todos repararam que a água ficou toda manchada de vermelho .
O Tigre comentou que tinha matado, não fazia uma hora, um homem.

Hathi perguntou a Shere-Khan se ele havia matado o homem por gosto ou para matar a fome
 Shere Khan respondeu sem cerimônia alguma:
-  Era meu direito e estava em minha noite de caça.
- Sim eu sei, disse Hathi. Se já acabou, então pode ir embora.

Livro da Selva - Rudyard Kipling

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